SOCIEDADE CAPITALISTA, QUESTÃO AMBIENTAL E O PAPEL DO GESTOR PÚBLICO.

04 de maio de 2009

Santiane Araújo Godinho

RESUMO:

O presente trabalho tem como objetivo analisar de forma história e reflexiva as transformações ocorridas após a ascensão capitalista e os impactos ambientais ocorridos das relações de produção e como intervir em busca de uma consciência crítica da sociedade e o papel do Gestor Público neste processo.

PALAVRAS-CRAVES: Capitalismo, Meio ambiente, Sociedade, Gestão Pública.

Com o fim do feudalismo um novo modo de produção se instaura, o capitalismo. O crescimento do capital comercial estabeleceu novas relações na sociedade, financiou as cruzadas que deu início a uma nova fase do capital, o capital mercantil, onde as relações de trabalho capitalista tomaram contornos mais definidos.

O capital industrial veio consolidar alguns aspectos com o trabalho assalariado, a divisão social do trabalho, a busca incessante pela produtividade e consequentemente pelo lucro e as inovações tecnológicas; deixando rastros de desigualdade social, conflitos, greves e desemprego, em função do crescimento desordenado das cidades e degradação dos recursos naturais, utilização de matérias-primas cada vez maiores não pensando no futuro da humanidade e mantendo ideologicamente um padrão consumista, individualista e degradante.

Na era capitalismo financeiro incorporado a globalização e tecnologia da informação acelerou o processo de socialização entre as nações e de acordo com Castells (2000) com o surgimento de um novo paradigma tecnológico na década de 70 embasado na tecnologia da informação, em um segmento específico da sociedade americana em interatividade com a economia global e a geopolítica mundial, que concretizou um novo estilo de produção, comunicação, gerenciamento e vida.

Diante do desenfreado estilo de produção gerado pelo modelo capitalista de mais-valia, a questão ambiental vem sido tratada pelas nações mundialmente relacionadas pelo processo de globalização como um fator crucial para a continuidade da vida no planeta, todavia nem sempre acordos relativos a preservação ambiental são respeitados e colocados em prática, como o Protocolo de Kyoto que tem buscado a redução dos gases e que provocam o efeito estufa decorrentes das fábricas dos países mais poluidores, como é o exemplo dos EUA, este país, por sua vez, na figura de seu representante Bush não assinou o referente protocolo.

Isso remete para uma análise mais profunda quanto a percepção ecológica que os indivíduos precisam tomar em busca de uma nova forma de se viver, abandonado padrões e comportamentos meramente fúteis de consumo e produção e pensar mais quanto as conseqüências que este padrão tem trazido e questionar a ideologia materialista.

O fator ecológico é um indicador social que se enquadra no aspecto vital que de acordo com Lago (2002) é expresso pela degradação ambiental, e segundo este autor o grau de degradação após esta era modernizante está se tornando iguais tanto nos países desenvolvidos e quanto nos subdesenvolvidos, todavia em sua idealizadora sociedade “socialmente desenvolvida” esta degradação ambiental terá de ser baixa. Que na verdade não deixa de ser um anseio de quem realmente busca uma nova visão de mundo, onde a natureza e os impactos ambientais tão vastamente latentes na sociedade de hoje possam ser minorados, em prol da própria existência humana.

Segundo a concepção de Serpa (1993) “é uma necessidade histórica a ruptura da modernidade e o surgimento de um novo homem, vivendo em uma nova sociedade, com um novo modo de produção da ciência e de bens materiais e uma nova ordem política e econômica internacional, justa e distributiva.”

De acordo com Al Gore (2006) se a humanidade continuar a não pensar de forma coerente entre o que produz e o que se realiza a favor da preservação ambiental, quanto o efeito estufa, por exemplo, milhões de vidas estarão condenadas pelas alterações climáticas. Este aspecto é nitidamente a resposta da própria natureza ao modo de vida que está se vivendo e poderá piorar caso não haja uma intervenção que não coloque em risco a capacidade de sustentabilidade do planeta, pois tanto ricos quanto pobres serão afetados, neste campo o poder aquisitivo da classe dominante não comprará a sua sobrevivência.

Cabe Gestor Público discutir alternativas da relação do homem e o seu meio, num trabalho interdisciplinar de conscientização, responsabilidade, na preservação como também na conservação deste, além de medidas sócio-educativas na busca de novas fontes de energia e punições severas quanto a violação deste direito ecológico.

É preciso olhar de forma holística em rumo à uma transformação cultural, rompendo com padrões que atrasam e desqualificam a toda estrutura social, acompanhando as mudanças e evoluções tecnológicas a favor da natureza, aprimorando os instrumentos necessários a qualidade de vida e dando respostas positivas às necessidades demandadas.

O Gestor deve ter em mente que não trabalhará sozinho, é necessário ter a capacidade de interagir de forma clara, objetiva, sujeito às críticas, aprimoramento e capaz de liderar com competência, responsabilidade, dinamismo, flexibilização e técnica, qualificando-se sempre que necessário e constantemente em conjunto com a sociedade civil organizada, instituições privadas, na busca de resolução dos problemas ambientais, como declara Castells(2000) quando aponta a necessidade de um “Estado-rede”.

REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel. Prólogo: a Rede e o Ser. In: A sociedade em Rede: A era da informação, sociedade e cultura.4ª ed. Trad. Klauss B. Gerhardt e Roneide V. Majer. São Paulo: Paz e Terra, 2000. (V.01) (pp.21-47)

GORE, AL. Uma Verdade inconveniente: um aviso global. EUA,2006.

LAGO, B. Marcos. Curso de sociologia política. 4ªed. Petrópolis: Vozes, 2002. (pp.190-222).

SEPRA, Luiz Felipe Perret. A crise da modernidade: Para onde vamos? In:BAHIA Na. &dados, Salvador. CEI, v.3 nº.01, p.5-11, jun. 1993.

Bacharel em Serviço Social e aluna do curso de pós-graduação em Gestão Pública da Argumento Pós-Graduação.


Um comentário to “SOCIEDADE CAPITALISTA, QUESTÃO AMBIENTAL E O PAPEL DO GESTOR PÚBLICO.”

  1. Rose Rian Borges da Cruz disse:

    Olá,
    É com imensa satisfação que encontramos profissionais de qualidade,que a pregação de cumprir o código de ética referente ao preconceito,não vem sendo cumprido quando profissionais de formação não socializam seus saberes com os novos pelo simples fato de serem alunos a distância.Será que o legal não seria conhecer primeiro o profissional para depois analisar o perfil pois o teórico deve ser aliado ao prático.Portanto muitos tem a teoria e na prática está havendo a desigualdade.Pensemos nisso.Pois a nossa profissão é brilhante e para nos formarmos todos passamos por muitas dificuldades e que eu creio que muitos tiveram as suas.
    “Se colocar do outro, sendo o outro”.Entendeu!

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