Reflexão a partir do Filme Saneamento Básico!

24 de junho de 2010

Por: Santiane Godinho[1]

Diante do filme, nota-se a busca dos cidadãos inquietos com o problema da falta de saneamento básico no tratamento do esgoto da comunidade, e depois de uma assembléia elaboram uma carta destinada ao prefeito no intuito de que a obra no esgoto possa ser prioridade no orçamento.

Todavia durante toda a trama foi mostrada que apesar da organização social lutar por seu direito, de ter o saneamento básico, sem a participação do ente público na elaboração de um planejamento coerente com os problemas sociais, vivenciados e prioritários dos usuários, configuram uma participação superficial e de ficção, pois dentro deste processo o foco é desviado e a concretização da intervenção nos aspectos pontuados pela comunidade continua sendo uma pauta de luta ou conformidade.

O processo demográfico acirrado provocado pelo capitalismo, a desigualdade social latente, o aumento populacional, a destruição ambiental, a poluição em todos os âmbitos, a morosidade no trato de políticas efetivas junto as camadas pauperizadas, etc, mostra como ainda tem muito a se fazer e na visualização de Teixeira “ a administração pública de buscar manter em harmonia as relações entre governo e sociedade, propiciando uma maior inter-relação e integração da estrutura formal da máquina administrativa, com a informal, objetivando assim, atingir um equilíbrio organizacional, onde deve-se buscar um processo decisório participativo, fortalecido por um planejamento participativo”.

Infelizmente, nem sempre a construção de uma sociedade participativa é levada a sério, de um lado; por parte de alguns usuários, pois já oxidaram a cultura da centralização, do clientelismo, do assistencialismo, da corrupção, do partidarismo, da burocratização, da passividade e do descrédito da governabilidade, de outro, a incompreensão do gestor público em aplicar projetos inapropriados em comunidades com realidades diferentes e interesses longe das necessidades da população, como reforça Teixeira “ A sociedade organizada ou não só é consultada quando o plano está pronto para avaliar determinados pontos que os planejadores colocam pauta de análise, para logo em seguida executa-lo e sem que ocorra nenhuma resposta positiva ou negativa sobre o programa”.

Este tipo de gestão acima torna-se ineficiente e aprofunda as mazelas sociais, não resolvendo a situação tanto pleiteada pela população, transformando os problemas em propostas eleitoreiras, criando medidas desarticuladas com projetos de dignidade e qualidade de vida. Que para Nelson Saule (2002) “face as necessidades e as carências de grande parte das comunidades situadas nos bairros de periferia, nas favelas, nos conjuntos habitacionais abandonados, nos cortiços, o interesse e a relevância social dos projetos de lei de iniciativa popular apresentados por grupos sociais carentes, deveriam não somente ser aceitos como também deveriam ter uma tramitação especial”.

É preciso olhar de forma holística em rumo à uma transformação cultural, rompendo com padrões que atrasam e desqualificam a toda estrutura social, acompanhando  as mudanças e evoluções tecnológicas a favor da natureza, aprimorando os instrumentos necessários a qualidade de vida e dando respostas positivas às necessidades demandadas.

REFERÊNCIAS

BRASIL, República Federativa do. Constituição da república Federativa do Brasil. Promulgada em 05 de outubro de 1988.

CARTILHA. Plano Diretor Participativo. Disponível em: www.cidadedetodos.gov.br/planodiretorparticipativo. Acesso em: 15/11/08.

FILME. Gestão Pública: O plano Diretor de Desenvolvimento Urbano: Orientação do Ministério das Cidades.

FILME. Saneamento Básico.

JUNIOR, Nelson Saule. Marco legal da participação popular no Brasil. Disponível em www.logolinkla.org . Acesso em 15/11/08.

LEITÃO, Vânia Alexandrino. Gestão pública local e melhoria das condições de vida da população. Artigo disponibilizado pela docente Ana Cristina da Purificação.

MOREIRA ALVES, Márcio. A força do povo: Democracia participativa em Lages. São Paulo: Brasiliense, 1980. 150p.

TEIXEIRA, Regina Cleide Figueiredo. O planejamento participativo: Soluções para as Questões Ambientais Urbanas. Coletânea de textos sobre Planejamento e Projeto disponibilizado pela docente Ana Cristina da Purificação. Salvador/2008.

VIEIRA, Ieda Maria. Planejamento. Coletânea de textos sobre Planejamento e Projeto disponibilizado pela docente Ana Cristina da Purificação. Salvador/2008.


[1] Bacharel em Serviço Social e especialista em Gestão Pública.

Um comentário to “Reflexão a partir do Filme Saneamento Básico!”

  1. Vanessa Farias disse:

    Assisti o filme e tenho uma curiosidade …gostaria de entender melhor como a população vê e se beneficia com o resultado desse projeto …???

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